• Felipe Chagas

Racismo: saindo da caverna.

Atualizado: 17 de Jun de 2020


O racismo se fundamenta no preconceito e na discriminação baseados em diferenças biológicas entre povos. Mas a partir de que momento essas diferenças biológicas passaram a ser valorizadas? Se voltarmos na história teremos nomes como o inglês Henrique VII, o espanhol Cristóvão Colombo, o português Pedro Alvares Cabral, o alemão Adolf Hitler, todos eles com um dom em subjugar e inferiorizar outros povos. Muitas vezes os povos oprimidos eram determinados como sem espírito, isso lhes dava o direito de escravizar, pisar, açoitar, estuprar e escalpelar estes seres.


Não é preciso ir muito longe para entender como um grupo se identifica como diferente do outro. Basta observar a natureza. Os animais se reconhecem como semelhantes através de instinto, cheiro, aparência e comportamento. Dessa forma o leão anda com leões, o búfalo com os búfalos, o lobo com os lobos. E assim é com a raça humana, a semelhança entre membros de um mesmo grupo é facilmente identificável. É claro que para todos os exemplos citados há exceções.


É da natureza humana, como na maioria dos animais, o cérebro encurtar caminhos, formando categorias de acordo com semelhança de padrões, surgindo assim o estereótipo. Dessa forma, se a mídia traz constantemente matérias sobre corrupção na política, de forma mecânica, o cérebro irá associar políticos a corrupção. Isso ficará como um vírus inerte, como forma de defesa. Assim como se um membro de uma tribo for picado por um inseto de oito patas, duas pinças e uma calda arqueada com um ferrão na ponta, logo, os demais membros da tribo terão um maior cuidado a lidar com escorpiões.


E quanto a boa parte dos povos negros em diversas regiões do globo, que se sentem vítimas de racismo? Muitos pensam que o racismo surgiu através dos processos de colonização. Mas o racismo surgiu com o homem pré-histórico, mais de forma xenofóbica, medo ou desconfiança a pessoas estranhas. Logo, uma tribo geralmente não aceitava estranhos, isso significaria partilhar recursos e deixar próximo a mulheres e crianças.


Tudo aponta que nós já nascemos com tendência maior a resistir a qualquer coisa que seja diferente. Por isso, dificilmente a maioria das pessoas possuem extrema dificuldade em se livrar dos paradigmas. A religião é um deles, normalmente as pessoas acreditam nas estorinhas que lhes foram contadas desde criança, aquela estorinha que é aceita pela sua cultura é tida como verdade, qualquer outra informação que venha ao encontro do que foi inserido nessas pessoas é considerado mentira, do diabo, maligno, demoníaco. No cristianismo por exemplo, ao mostrar uma imagem de um homem cabeludo, loiro e de olhos azuis, logo atribuirão esta imagem ao Cristo, mesmo não contendo em nenhuma página do seu livro sagrado nenhuma informação sobre a fisionomia deste homem. O que seria uma imagem pouco provável para o messias cristão, pois os judeus não possuem nem de perto estas características.


Na espiritualidade oriental o estereótipo fica de lado, para a maior parte dessa cultura nós não somos um corpo, nós estamos em um corpo. Este pensamento é comungado também na medicina oriental. Os orientais, de uma forma geral, partilham um deus interior, enquanto os ocidentais seguem um deus que está fora. Essa visão oriental já elimina bastante as questões de diferenças estereotipadas, afinal, nesta cultura deus está em todos, logo não se deve subjugar o próximo.


Na física quântica, a física que estuda a formação das coisas nas menores das partículas, absolutamente tudo vem do mesmo, do vácuo quântico, que cria o bóson de higgs, que forma o quarks, três partículas deste último cria o próton, que junto com um elétron e um nêutron forma o átomo, este forma absolutamente tudo o que vemos. Dessa forma, tudo é o mesmo em sua essência. Esta última referência é bastante contundente, pois não se pode não acreditar no átomo, ou nos experimentos confirmados em laboratório, o termo correto seria não aceitar. E a partir daí jogar os smartphones, televisores, aparelhos de som no lixo e achar que Hiroshima e Nagasaki foi uma estorinha de conto de fadas.


Há pessoas questionadoras, que vão em busca da informação, que usam a divina racionalidade, pessoas que como Alfred Korzybski, que checam se o mapa é o território, pessoas que questionam se o livro é sagrado, que não se aliam ou atacam partidos, pessoas que vieram para destruir o sistema. Estas são as pessoas que não enxergam diferenças físicas, que não subjugam semelhantes, sejam eles brancos, negros, amarelos ou furta-cor. Inferiorizar outro ser é apenas uma demonstração de ignorância, a ignorância da falta de conhecimento de como o mundo funciona, a falta de conhecimento sobre o que realmente és.

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